A importância do diálogo na prevenção de conflitos jurídicos
Entre o diálogo e o processo: o papel da comunicação no ambiente de trabalho
No ambiente de trabalho, é comum que conflitos sejam associados a situações extremas. No entanto, a realidade é menos evidente violências silenciosas são atos considerados pequenos e que em doses constantes leva uma pessoa ao esgotamento. Alguns dos conflitos que chegam ao Judiciário vem de práticas cotidianas. Falhas da comunicação, a forma como se fala, como se faz uma cobrança ou como alguém é exposto diante dos outros são fatores que, acumulados, tornam o ambiente de trabalho desgastante e insustentável.
As violências silenciosas no ambiente organizacional podem ocorrer independentemente de hierarquia, entretanto é frequentemente identificar que podem partir com maior frequência do superior para seu subordinado. Manifestam-se muitas vezes de maneira sutil: no controle de idas ao banheiro, no isolamento de um colaborador, ignorar, imposição de metas inatingíveis, punições injustas ou ausência de feedbacks. Ou de maneira mais escancaradas: na impaciência ao ensinar, na cobrança por orientações que nunca foram dadas, em correções feitas de forma grosseira, em perguntas que não são respondidas, além de piadas, olhares e até suspiros que comunicam desrespeito.
É nesse cenário que se insere o assédio moral, se caracterizando pela repetição de condutas que ferem a dignidade do outro. A lei n° 14.457, de 2020 defini que o assedio moral é qualquer conduta abusiva que ocorra de forma repetitiva, visando humilhar ou degradar um trabalhador, comprometendo sua integridade psíquica e física. Essa legislação estabelece a importância de medidas para a prevenção e reparação de conduta no ambiente de trabalho.
E aqui surge uma questão central: até que ponto os conflitos que se transformam em processos poderiam ter sido evitados?
Nesse contexto, a comunicação deixa de ser apenas uma competência comportamental e passa a ser compreendida como uma estratégia de prevenção jurídica. Ambientes que favorecem o diálogo tendem a reduzir a escalada de conflitos, evitar interpretações distorcidas e, consequentemente, diminuir a judicialização das relações de trabalho.
Mais do que isso, evidenciam um compromisso não apenas com resultados, mas com a forma como esses resultados são alcançados. Em um cenário em que o aumento de demandas trabalhistas frequentemente revela falhas estruturais nas relações internas, investir em comunicação consciente não é um diferencial, é uma necessidade.
Porque, no fim, entre o diálogo e o processo, muitas vezes existe apenas uma escolha cotidiana: a forma como se decide comunicar.
Matérias complementares:
https://www.gov.br/defesa/pt-br/acesso-a-informacao/integridade/portal-da-integridade0/pdf/guia-lilas-2deg-edicao.pdf/
https://www.contatoseguro.com.br/blog/lei-14457-22-assedio-moral-ambiente-de-trabalho/
Matérias complementares:
https://www.gov.br/defesa/pt-br/acesso-a-informacao/integridade/portal-da-integridade0/pdf/guia-lilas-2deg-edicao.pdf/
https://www.contatoseguro.com.br/blog/lei-14457-22-assedio-moral-ambiente-de-trabalho/


0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial